20/03/2018 - 16:35 - Atualizado em 21/03/2018 - 11:19

21 de março - Dia Internacional contra a Discriminação Racial

Conheça a luta de quatro personalidades emblemáticas na luta contra o racismo


O Dia Internacional contra a Discriminação Racial foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em memória ao “Massacre de Shaperville”, ocorrido em 21 de março de 1960. Nessa data, aproximadamente vinte mil pessoas protestavam contra a “lei do passe”, em Joanesburgo, na África do Sul.

Essa lei obrigava os negros a andarem com identificações que limitavam os locais por onde poderiam circular dentro da cidade. Tropas militares do regime africano atacaram os manifestantes e mataram 69 pessoas, além de ferir centenas outras.

Ao longo do século XX, a humanidade presenciou importantes momentos que ajudaram a marcar a luta contra o preconceito racial que macula a história da humanidade.

Confira quatro personalidades e os fatos históricos que marcaram a luta contra o racismo no mundo:



1. Nélson Mandela (1918-2013) e a luta pelo fim do apartheid na África do Sul

Um dos grandes símbolos da luta pelos direitos dos negros foi Nelson Mandela, um dos líderes do Congresso Nacional Africano (CNA). Ele passou 27 anos na prisão por combater o governo do apartheid sul-africano, regime que perdurou oficialmente no país por mais de 50 anos, de 1948 a 1994, sob o governo de uma minoria branca europeia.

Condenado em 1964 à prisão perpetua, foi libertado em 1990, depois de grande pressão internacional. Recebeu o “Prêmio Nobel da Paz”, em dezembro de 1993, pela sua luta contra o regime de segregação. Em 2006, foi premiado pela Anistia Internacional, por sua luta em defesa dos direitos humanos.

Mandela foi eleito o primeiro Presidente da República negro da África do Sul, durante as primeiras eleições multirraciais daquele país, em 1994. O líder africano faleceu em Joanesburgo, África do Sul, no dia 5 de dezembro de 2013, vítima de uma infecção pulmonar.



2. Rosa Parks (1913 – 2005): recusou-se ceder seu lugar no ônibus a um branco

Foi uma costureira negra norte-americana, símbolo do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Ficou famosa em 1º de dezembro de 1955, por ter se recusado a ceder o seu lugar no ônibus a um branco, tornando-se o estopim do movimento denominado boicote aos ônibus de Montgomery e que, posteriormente, viria a marcar o início da luta antissegregacionista.

Durante 381 dias, os mais de 40 mil usuários negros de ônibus prosseguiram com o boicote aos ónibus da cidade. Nos eventos que se seguiram, alguns líderes religiosos e ativistas se destacaram, como os reverendos Ralph Abernathy e Martin Luther King, Jr. Em 1956, a Suprema Corte americana julgou inconstitucional a segregação racial em transportes públicos.
Viúva, com saúde debilitada e dificuldades financeiras, Rosa Parks faleceu em seu apartamento, em Detroit, a 24 de outubro de 2005, de causas naturais.





3. Elizabeth Eckford: primeira mulher negra a estudar numa escola para brancos nos EUA

Em meados da década de 1950 e 1960, a partir da aprovação de uma lei que começava a forçar o fim da segregação racial no país, várias escolas norte-americanas foram obrigadas a aceitar alunos negros em suas instituições de ensino.
Elizabeth Eckford foi uma primeiras estudantes afro-americanas a frequentar o Little Rock Central High School, em Little Rock, no estado de Arkansas.
A sua persistência e força ao enfrentar os diversos insultos no colégio foi registrada pelos jornalistas da época. A sua imagem ficou marcada como uma das mais icônicas da resistência contra a intolerância e ignorância que caracteriza o racismo.




4. Martin Luther King Jr. (1929-1968): filosofia da não violência

Martin Luther King (1929-1968) foi um ativista norte-americano, lutou contra a discriminação racial e tornou-se um dos mais importantes líderes dos movimentos pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Primeiro presidente da Conferência da Liderança Cristã do Sul que ele próprio fundou em 1957, passou a organizar campanhas pelos direitos civis dos negros, baseadas na filosofia da não violência pregada pelo líder indiano Manhatman Gandhi.

Em 1960, conseguiu liberar o acesso dos negros em parques públicos, bibliotecas e lanchonetes. Três anos depois, liderou a Marcha sobre Washington, que reuniu 250 mil pessoas, quando faz seu importante discurso, que começa com a frase “I Have a dream” (Eu tenho um sonho), e descreve uma sociedade, onde negros e brancos possam viver harmoniosamente.

Em 1964, foi criada a Lei dos Direitos Civis, que garantia a tão esperada igualdade entre negros e brancos. Assim, a partir de uma postura em prol da “não violência” e do “amor ao próximo”, Luther King foi consagrado em 1964 com o Prêmio Nobel da Paz. Sua luta se estendeu também nos movimentos contra a Guerra do Vietnã.

Luther King teve sua trajetória interrompida por um tiro enquanto descansava na sacada de um hotel em Memphis, em 4 de abril de 1968, onde apoiava um movimento grevista dos lixeiros. Seu assassinato impulsionou uma série de ações para travar o racismo na América e em todo o planeta. Em sua homenagem, ficou estabelecido nos Estados Unidos, desde 1986, o Dia de Martin Luther King (celebrado na terceira segunda-feira de janeiro).

Leia também: “O Brasil é o país mais racista do mundo”


Por: Comunicação/Postal Saúde
Fontes: eBiografias
Foto: Divulgação