26/10/2017 - 14:27 - Atualizado em 26/10/2017 - 17:32

​Foz do Iguaçu sedia 20º Congresso Internacional da UNIDAS

O representante da Postal Saúde na diretoria de Treinamento e Desenvolvimento da UNIDAS (União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde), Leonardo Trench, fala sobre as novidades e as expectativas para o 20º Congresso Internacional, que começa nesta quinta (26) e prossegue até sábado (28), em Foz do Iguaçu, Paraná. Nesse contexto, ele aborda também os desafios enfrentados pelo segmento. No Brasil, cerca de 6,5 milhões de pessoas pertencem a planos de saúde na modalidade de autogestão. Acompanhe a entrevista.

Leonardo Trench: o maior desafio das entidades de autogestão
em saúde é a
sobrevivência

Postal Saúde — Quais as expectativas para o 20 º Congresso Internacional da Unidas que acontecerá de 26 a 28 de outubro, em Foz do Iguaçu?

Leonardo Trench — Estamos muito animados. Montamos um congresso diferente dos demais, com aprofundamento das questões mais importantes para o setor; e promovemos o intercâmbio com os Estados Unidos e a Holanda. Não tenho dúvida de que esse Congresso será um marco na história do segmento de autogestão de saúde no Brasil.


Postal — Que novidades serão apresentadas?


LT — Um diferencial do Congresso, neste ano, são as discussões mais aprofundadas, que ocorrerão em salas temáticas separadas e que proporcionam um intercâmbio mais intenso de experiências no setor. Com relação à diretoria de Treinamento e Desenvolvimento da Unidas, a novidade é o lançamento do Portal de Ensino à Distância (EAD) da UNIDAS. A instituição tem experiência suficiente para ser referência no ensino voltado à autogestão em saúde. Esse portal permitirá que os conhecimentos adquiridos nesses 15 anos de existência da UNIDAS avancem, sem limitações de barreiras financeiras ou geográficas.


Postal — Como tem sido a participação da Postal Saúde na diretoria da UNIDAS?


LT — Uma das incumbências é lutar pelo aprimoramento da Lei 9656/98, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde. Precisamos conscientizar a sociedade e os governos sobre a importância do setor, inclusive como meio de sustentabilidade do SUS. Também estamos trabalhando no desenvolvimento da grade de cursos do Ensino à Distância (EAD), entre outras responsabilidades.


Postal — Qual a importância dessa participação para o segmento da autogestão em saúde?


LT — Acredito que os grandes planos do segmento de autogestão em saúde não podem se afastar desse movimento, pois eles têm poder para influenciar o Poder Público e também para motivar os pequenos planos a fazerem o mesmo.


Postal — Que questões estão sendo discutidas, no momento, pelo segmento?


LT — A principal questão debatida hoje é a possibilidade de alteração da Lei 9656/98. Pretende-se, com a mudança, adequar a legislação às especificidades da autogestão, permitindo que a ANS dê aos planos de saúde, na modalidade de autogestão, um tratamento diferenciado — em razão de suas peculiaridades, já que não são planos de mercado.


Postal — Quais as conquistas alcançadas pela Unidas para o setor?


LT — O espaço que estamos conseguindo, nas esferas do Poder Público e na sociedade em geral, para sensibilizar as autoridades sobre a importância do segmento de autogestão para a saúde coletiva dos brasileiros é uma conquista importante. Um êxito, nesse sentido, foi a inclusão de uma série de reivindicações da Unidas no relatório da Comissão Especial destinada a proferir parecer ao Projeto de Lei nº 7419, de 2006, do Senado Federal, que "altera a Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998. Essa lei dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde. Creio que esses movimentos possibilitam que a UNIDAS se firme cada vez mais como a legítima representante do segmento, com responsabilidade e embasamento para fortalecer o setor.


Postal — Pode explicar o que diferencia, no mercado, uma operadora de saúde na modalidade de autogestão?


LT — Umas das peculiaridades é que, na modalidade de autogestão, a entidade é gerida e fiscalizada pelos próprios usuários; conta com uma mantenedora ou patrocinadora; não é comercializável; não visa lucro e tem um universo delimitado de usuários. Por essa razão, o segmento se firma como uma alternativa viável ao SUS, que é um sistema complexo e deficitário. No Brasil, cerca de 6,5 milhões de pessoas pertencem a planos de saúde na modalidade de autogestão. Esse é um número expressivo que precisa ser avaliado com carinho pelos gestores e legisladores. Por ser uma alternativa simples, mais barata e socialmente mais abrangente, o segmento pode e deve ser olhado como meio de sustentabilidade do SUS.


Postal — Qual o maior desafio para a o segmento de autogestão em saúde no Brasil?


LT — O maior desafio é a sobrevivência do setor. Por isso, lutamos pela alteração da legislação. É preciso implementar medidas efetivas de prevenção e promoção da saúde, trabalhar no controle rígido do avanço da sinistralidade, bem como educar os usuários para o uso consciente do plano de saúde. Essas são peças fundamentais para a montagem desse quebra-cabeça. Sobreviver é a palavra de ordem; esse é o grande desafio.


Saiba mais: Vem aí o 20º Congresso Internacional da UNIDAS


Fonte: Comunicação/Postal Saúde

Foto: Banco de Imagens Postal Saúde