09/05/2019 - 16:32 - Atualizado em 13/05/2019 - 10:02

​Mãe, substantivo abstrato

Uma homenagem da Postal Saúde ao Dia das Mães



Mãe, quando eu era ainda menor que uma sementinha, já projetava em teu ventre angústias e medos que na mesma hora se dissipavam quando eu sentia tua mão roçando carinhosamente as paredes do meu lar, abrigo gostoso que o teu corpo me oferecia.

É que recebeste a notícia de que eu estava lá, zigoto instalado em teu útero sagrado. E nove meses depois eu chegaria pra bagunçar tua vida, mexer em tua rotina, tirar tempo de ti. Pensei que isso te faria infeliz.

Com a placenta ainda em formação, ziguezagueei no líquido amniótico enquanto sentias náuseas e desconforto. Quando eu me agitava, sentia novamente tuas mãos suaves a acariciar a barriga que se avolumava com o passar dos dias. Tua voz me acalmava.

Sentia teu vigor e tua alegria. E já me acostumava com tua voz suave a cantar para mim, mesmo sem me conhecer, e a dizer coisas como: “te amo muito, baby”, “não vejo a hora de ver o teu rostinho” ou “quero que sejas muito feliz”.



Eu me alimentava do teu pão pelo cordão umbilical. Era sabor de mãe, de amor, de devoção. Eu sentia a tua doçura, a tua fartura, mãe. Aos poucos, fui pegando corpo e me acostumando com os teus mimos. Já não podia viver sem eles.

A certa altura, já me imaginava no embalo do teu colo aconchegante, sentindo o cheiro de frutas silvestres do teu perfume, que se misturava com o teu cheiro de mãe e de leite.

Ai, que gostoso e reconfortante quando me colocavas em teus braços e eu dormia em teus seios, sugando o alimento que me sustentava. Preparaste um álbum, com minha foto e os melhores momentos de mim, de nós, em que estava escrito: “Retalhos de vida e felicidade”. Ah, como esse gesto refletiu em mim o teu amor, mãe!

O tempo foi passando e teus cuidados foram se adaptando às diferentes fases do meu existir. Primeiros passinhos, estavas lá, segurando minha mão para eu não cair. Primeiros dentinhos, primeiro dia na escola, aquela febre que não passava, noites sem dormir... Estavas sempre lá. Na pecinha de teatro, eras a primeira a me aplaudir.




Cresci. Na minha formatura, estavas lá. E o meu olhar para ti era de gratidão. No dia do meu casamento, também estavas lá, impregnando com teu esplendor aquele rito de passagem. Virei gente grande. E segues tatuando minha existência com a marca do teu AMOR sem medida.

Hoje, quando deixo meu filho na escola e busco teu ombro amigo, tua generosidade de fada me acolhe com a ternura e a grandiosidade de sempre.

Nada mudou. Estás sempre presente, lá e cá e acolá, onde eu preciso que estejas. E eu, fruto maduro do teu ventre, entrego-me sem reservas a esse amor que não tem fim.

Contigo, aprendi o valor da vida, da fé, da renúncia, do perdão, da entrega. Aprendi o valor do amor. Coroo-te com flores colhidas de um jardim muito especial, regado de sentimentos que não podem ser definidos nem mensurados.

Teu amor, mãe, é meu baluarte. Neste dia especial, subverto as regras do português para dizer: Te amo, mãe, substantivo abstrato.

Texto: Arlinda Carvalho