21/05/2020 - 17:18 - Atualizado em 28/05/2020 - 10:14

Nutrição comportamental: saiba o que é e como funciona

À Postal Saúde, a nutricionista Isabela Mendonça da Silva falou sobre o caráter científico e inovador dessa abordagem, cujo foco é a mudança de comportamento alimentar. Segundo ela, "as crenças, os pensamentos e os sentimentos sobre a comida são tão importantes quanto simplesmente 'o que se come' "



Com o isolamento social, é natural que as pessoas se sintam mais ansiosas e busquem na comida uma espécie de “compensação” para o estresse vivido a quatro paredes. Nesse contexto, a Nutrição comportamental pode ser uma grande aliada durante a quarentena.


Segundo a nutricionista Isabela Mendonça da Silva, a Nutrição comportamental é uma abordagem científica inovadora, com foco em mudança de comportamento alimentar, que inclui os aspectos fisiológicos, sociais e emocionais da alimentação.


“Acreditamos que todos os alimentos podem ter espaço em uma alimentação saudável, respeitadas as questões de quantidade e frequência”, explica. O conceito surgiu em 2014 e foi idealizado pelo Instituto Nutrição Comportamental (INC).


Mudança de comportamento alimentar

Para a nutrição comportamental, a chave para a conquista do peso saudável está na mudança dos hábitos alimentares e na escolha de um estilo de vida mais ativo e, o mais importante, de forma sustentável, frisa Isabela. Assim, o foco não está exclusivamente no emagrecimento. “Também não existem fórmulas prontas ou resultados padronizados. Tudo dependerá da resposta de cada paciente ao tratamento. A perda de peso será então uma consequência da mudança da relação do paciente com a comida”, explica a nutricionista.

Pecados das dietas tradicionais restritivas

Isabela destaca que um dos pecados cometidos pelas dietas tradicionais focadas na perda de peso é a redução drástica de calorias do consumo diário, as chamadas dietas restritivas.

"Hoje sabemos que as dietas restritivas não têm efeito benéfico para a saúde a longo prazo e estudos nos mostram que 95% das pessoas que perdem peso com dietas restritivas voltam a engordar. E, às vezes, ganham mais peso do que tinham antes da dieta. Não fazer dietas restritivas envolve, portanto, comer de maneira mais consciente e respeitando os sinais de fome e saciedade”.

Segundo a profissional, a ciência da nutrição ainda é muito biológica e focada em calorias e nutrientes. Nessa perspectiva, prevalece “uma visão restrita do que é saudável e não saudável, no qual o prazer de comer é muitas vezes associado à culpa”.

Por isso, só uma avaliação clínica vai determinar se a pessoa precisa ou não de um planejamento alimentar sistemático, com sugestão de receitas e cardápios. Às vezes, basta mudar a relação com a comida ou um mau hábito alimentar para alcançar o equilíbrio desejado.



Prazer de comer com equilíbrio: adeus à culpa


Esse contexto baseado na culpa, explica a nutricionista, não promove mudança de comportamento e não melhora a saúde das pessoas. “A Nutrição comportamental propõe uma mudança no nosso estilo de vida e em como enxergamos a alimentação. Essa mudança proporciona uma melhora em como nos relacionamos com a comida: sem sofrimento ou culpa, restrições e proibições. O prazer de comer e o equilíbrio alimentar, princípios contemplados nessa abordagem, são a chave para se alimentar com mais consciência”.


Quem pode se beneficiar

Segundo Isabela, todos podem se beneficiar com a Nutrição comportamental. “É uma abordagem inclusiva que busca entender o comportamento alimentar do ser humano em todas as fases da vida. Assim, podem obter benefícios tanto aqueles que possuem alguma doença quanto indivíduos saudáveis”.

A especialista responde

Postal Saúde - Como a nutrição comportamental pode ajudar durante o isolamento social nesse período da pandemia?

Isabela Mendonça da Silva - A sensação de falta de controle e incertezas com relação ao futuro pode ocasionar em muitas pessoas a utilização da comida como recompensa ou alívio rápido das emoções e levar a comportamentos impulsivos e exageros na alimentação. Na nutrição comportamental, entendemos que o comportamento alimentar está diretamente relacionado aos sentimentos e pensamentos que temos ao nos alimentarmos. Por isso, entender nossos sentimentos pode nos auxiliares a ter uma alimentação mais equilibrada. Nesse período, a busca por uma alimentação mais consciente e com menos regras e proibições também pode ajudar a nos reconectarmos com o nosso corpo e fazer com que a hora da refeição seja mais leve, sem culpa ou sofrimento, visto que o momento atual já carrega muita angústia.

PS- Quais as dicas para colocar em prática os conceitos da nutrição comportamental?

Isabela - Como mencionei anteriormente, não existem receitas prontas, mas é possível observar e identificar comportamentos alimentares que poderiam ser modificados ou melhorados. Essa atitude ajudará a colocar em prática os princípios do "comer consciente" e a retomar a conexão com o próprio corpo, o que também ajudará na saúde a longo prazo. Seguem 5 dicas básicas:

  • Concentre-se: esteja presente e consciente no que está acontecendo no momento da refeição;
  • Dê mais atenção ao sabor e à textura dos alimentos;
  • Preste atenção à sensação de fome e saciedade antes e depois de comer;
  • Se não tiver fome, não coma;
  • Pare de comer quando o corpo der sinal de saciedade.

Por: Comunicação/Postal Saúde
Foto: 123 RF