23/07/2019 - 18:40 - Atualizado em 23/07/2019 - 09:48

Refluxo gastroesofágico: sintomas, causas e tratamento

O problema ocorre devido ao retorno involuntário e repetitivo do conteúdo do estômago para o esôfago


Vamos entender como funciona a passagem do alimento até o estômago. Os alimentos mastigados na boca passam pela faringe, pelo esôfago (um tubo que desce pelo tórax na frente da coluna vertebral) e caem no estômago, situado no abdômen. Entre o esôfago e o estômago, existe uma válvula que se abre para dar passagem aos alimentos e se fecha imediatamente para impedir que o suco gástrico penetre no esôfago, pois a mucosa que o reveste não está preparada para receber uma substância tão irritante. Mas quando a pessoa sofre de refluxo, é isso o que acontece, provocando azia e outros incômodos.

Crianças pequenas podem apresentar episódios de refluxo em virtude da fragilidade dos tecidos existentes na transição entre o estômago e o esôfago. Na maioria dos casos, o problema desaparece espontaneamente.

Sintomas

- Azia ou queimação que se origina na boca do estômago, mas pode atingir a garganta;

- Dor torácica intensa, que pode ser confundida com a dor da angina e do infarto do miocárdio;

- Tosse seca;

- Doenças pulmonares de repetição, como pneumonias, bronquites e asma.

Causas

- Alterações no esfíncter que separa o esôfago do estômago e que deveria funcionar como uma válvula para impedir o retorno dos alimentos;

- Hérnia de hiato provocada pelo deslocamento da transição entre o esôfago e o estômago, que se projeta para dentro da cavidade torácica;

- Fragilidade das estruturas musculares existentes na região.

Fatores de risco

- Obesidade: os episódios de refluxo tendem a diminuir quando a pessoa emagrece;

- Refeições volumosas antes de deitar;

- Aumento da pressão intra-abdominal;

- Ingestão de alimentos como café, chá preto, chá mate, chocolate, molho de tomate, comidas ácidas, bebidas alcoólicas e gasosas.

Diagnóstico

O diagnóstico leva em conta os sintomas clínicos. A endoscopia digestiva alta e a pHmetria são exames importantes para estabelecer o diagnóstico definitivo.

Tratamento

O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico. O clínico inclui a administração de medicamentos que diminuem a produção de ácido pelo estômago e melhoram a motilidade do esôfago.

Paralelamente, o paciente recebe orientação para perder peso, evitar alimentos e bebidas que agravam o quadro, fracionar a dieta, não se deitar logo após as refeições e praticar exercícios físicos.

A cirurgia pode ser realizada de maneira convencional ou por laparoscopia e está indicada nos casos de hérnia de hiato, para os pacientes que não respondem bem ao tratamento clinico ou quando é necessário confeccionar uma válvula antirrefluxo.

Ela é sempre um procedimento adequado, quando a repetição do refluxo gastroesofágico provoca esofagite grave, uma vez que a acidez do suco gástrico pode alterar as células do revestimento esofágico e dar origem a tumores malignos.

Recomendações

- Não se automedique se tiver episódios repetidos de azia ou queimação. Procure assistência médica para diagnóstico e tratamento adequados;

- Evite alimentos e bebidas, especialmente as alcoólicas, que favorecem o retorno do conteúdo gástrico;

- Fique longe do cigarro;

- Procure perder peso;

- Não use cintos ou roupas apertadas na região do abdome;

- Não se deite logo após as refeições;

- Distribua os alimentos em pequenas quantidades por várias refeições (café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar);

- Faça refeições mais leves. Sente-se e coma sem pressa, mastigando bem os alimentos;

- Aumente a salivação com gomas de mascar ou balas duras. A saliva pode aliviar a dor;

- Não ponha o bebê na cama assim que acabar de mamar. Mantenha-o em pé no colo até que elimine o ar que deglutiu durante a amamentação.


Fontes: Biblioteca virtual do Ministério da Saúde
Site Drauzio Varella
Foto: Stock Photos